terça-feira, 6 de março de 2007

Wave Gotik Treffen 2007 - Reportagem 2º dia

Com o avolumar de bandas no segundo dia do festival torna-se essencial fazer escolhas e começamos o dia, pelas 16h com o concerto dos The Pussybats no Parkbühne.
O Parkbühne é um anfiteatro com capacidade para 1500 pessoas no meio de um parque enorme, com o bom tempo a convidar ao passeio e recuperação da noite anterior.
Foi sob um sol forte e céu azul que os alemães The Pussybats se entregaram ao seu goth’n’roll. Frente ao palco apenas as maiores fãs, porque a maioria do público contentava-se em ouvir a música e apreciar o espectáculo de longe, à sombra. Tiveram azar em abrir o dia, mas entregaram-se como se frente a uma plateia cheia e a música animou e entusiasmou o público. Difícil pedir mais.



A auto-entitulada maior banda ucraniana de rock gótico, os Komu Vnyz, beneficiaram do público mais atento deixado pelos The Pussybats. A curiosidade do público prendia-se mais com a perspectiva de ouvir algumas músicas em ucraniano ou russo do que outra coisa. Mas o vocalista limitou-se a sentar frente a um teclado e por lá ficar, perdendo aos poucos o público que estava mais preocupado em beber que vê-los tocar. Um rock gótico mais exótico mas nada que sobressaia no meio de tantas bandas com um som semelhante.




Depois de Komu Vnyz, os Reliquary, banda gótica americana só podiam deixar boa impressão. E com o dia a cair e refrescar e o público ansioso por boa música não desiludiram. Bom som, boa performance e principalmente boa voz da vocalista, Kara, que aterrou em Leipzig apenas uma hora antes do espectáculo e conseguiram chegar à Europa com donativos dos fãs... Uma boa surpresa de uma banda que só conta com um album lançado recentemetne, recomendado a quem gosta do género.



Secret Discovery... Só consigo dizer que se fosse cantado em português em vez de em inglês seria um sucesso nas feiras e festas das aldeias deste país! Um cruzamento de metal com letras entre o naif e o simplesmente “pimba”. Não que a música fosse má, sem vocalista nem letras até era decente mas assim... Uma boa altura para continuar a beber!



E finalmente o ponto alto da tarde, a performance de Emilie Autumn. Que não desiludiu. Num concerto baseado nos albuns “Opheliac” e “Unlaced”, Emilie não deixou os seus créditos por mãos alheias e transmitiu a sua loucura a todos os espectadores. A música, roupa, o cenário, o espectáculo transformaram o Parkbühne no asilo de que ela tanto gosta com o público a dividir a atenção entre a música e os movimentos das personagens em palco. Apenas quando Emilie pegava no violino todos os olhares eram para si.



E uma mudança radical. Do Parkbühne para o Kohlrabizirkus, de Emilie Autumn para Primordial. Com uma viagem rapidíssima e muita sorte nos eléctricos ainda conseguimos apanhar as últimas músicas de Primordial no edifício do antigo mercado de vegetais, agora recinto com capacidade para 4000 pessoas. A banda de metal irlandesa tinha a completa atenção do público, com muito cabelo a voar e muitas mãos no ar a cada apelo do vocalista. E para mais não deu.



Mas tínhamos vindo aqui para Haggard, a maior banda de Classic/Medieval Metal. O pessoal juntou-se às grades, os espaços diminuiram e em pouco tempo o recinto estava bastante composto. Parece que o concerto de Front 242 à mesma hora fez roubou algumas pessoas mas os que estavam eram realmente grandes fãs. Depois de uma longuíssima paragem para montagem de instrumentos e afinações, feita pelos próprios, o concerto começo com algum atraso e muito apoio do público. Resistindo à tentação de promover apenas o último album, a banda de Asis Nasseri tocou as grandes músicas da sua carreira, entusiasmando ainda mais um público que ouvia cada nota como se fosse a última. Os arranjos clássicos, os solos de piano e a voz de Suzanne conjugadas com o metal mais tradicional iam fazendo as delícias de todos. Até que um problema com a guitarra de Asis levou a uma grande paragem. Nem a substituição por um instrumento emprestado o satisfez levando a uma tentativa por parte da banda de acabar por ali o concerto. Mas o apoio incondicional do público que não parou de aplaudir e os incentivar conseguiu com que tocassem mais algumas músicas, mesmo de guitarra desafinada. Foi pena não ter corrido como previsto, mas saíram de palco ovacionados...
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E a última banda da noite foram os nossos Moonspell. Já durante os concertos anteriores Fernando Ribeiro e companhia tinham andado a passear pelos bastidores trocando impressões com organização e músicos. O público alemão (e não só) recebeu-os entusiasmado como era previsível pelo prestígio de que gozam por lá e pelo número de T-Shirts da banda que se vêm no festival.
Numa espécie de concerto Best-of os Moonspell correram as grandes músicas que têm para satisfação de todos, que respondiam sempre de mãos no ar. E Fernando Ribeiro não perdeu a oportunidade, antes de cantar Opium de referir que vinha de Portugal e que a música tinha um grande significado por cá. Também Sofia, que o acompanha ultimamente em palco em algumas músicas foi devidamente apresentada e teve direito a arranjos especiais para que pudesse participar em temas que não foram compostos para a sua voz. E de Moonspell nada mais é preciso dizer, iguais a si mesmos fizeram o que melhor sabem e continuam a assumir-se cada vez mais como um nome incontornável no género.



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