Crítica / Review do concerto dos Fields of the Nephilim + Setlist
Há muito que se sonhava com um concerto dos Fields of the Nephilim e eis que tal se tornou realidade. Carl McCoy entrou calmamente em palco de óculos escuros, estrela de David ao pescoço, jeans ao estilo "cowboy" à Mad Max e com o seu inseparável chapéu. Carl não se dirigiu uma única vez ao público (à excepção no final com um simples "Thank You"), nem sequer puxou de alguma forma pelos presentes, contudo não descurou vez alguma o profissionalismo já que McCoy puxou e bem pela voz, estando sempre num elevado nível vocal.

Porém, algo falhou no concerto... e o que falhou foi o público. Pelo menos dois tipos de audiência estavam presentes... uns muitos jovens para quem os Fields são como uma espécie de banda do além, uns deuses ominipresentes mas inatingíveis. Este grupo não teve um contacto próximo com a banda devido ao largo interregno da mesma. O segundo tipo de público que já está nos trintas, passaram a sua tardia adolescência a ouvir os Fields, o álbum ao vivo "Earth Inferno" que passava de mãos em mãos em k7's, sendo o mais próximo que poderiam ousar de uma actuação ao vivo da banda, até este sábado 6 Fev 2010.

Houve uma modesta participação do público com "From the Fire" interrompida com "Penetration" em que o espectáculo entrou na onda do metal...terrível esta música...todavia daria lugar a um dos pontos altos do concerto com "Moonchild", captando esta música a adesão do pessoal. Atrás de uma grande música só poderia vir uma outra, a qual veio a constituir na minha opinião pessoal, o ponto alto do concerto: "Love Under Will".
"When I'm gone wait here
I'll send my child my last good smile"
Valeu a pena, a meu ver, o concerto só por esta música, que espectáculo, que prestação sublime do baixo e da bateria, simplesmente alucinante... Após Watchman e Mourning Sun, o grupo descansou para voltar para o "encore". A Mourning Sun esteve algo má em termos sonoros, não se percebia bem o que Carl cantava...
Após uns certos arranjos, e com o "encore" a iniciar com "For Her Light" o público reactivou mas sempre de forma tímida. Finalmente e como de costume, FOTN despediram-se com "Last Exit For the Lost".... esta música como sabido acelera e bem a meio quando McCoy canta "We're getting close to you I can see the door" e aí viria a surpresa da noite... o público batendo palmas com as mãos elevadas em sintonia com o ritmo da bateria... Rendeu-se finalmente. Foi para a despedida!Despedida esta um tanto amarga pelo tempo que os FOTN demoraram a vir a terras lusas, a memória e o entusiasmo foi-se desvanecendo no público da velha guarda e por isso, no geral, o concerto foi muito bom, mas poderia ter sido excepcional.

Não obstante, McCoy teve uma perfeita performance, colocando na voz a sua alma. Não esquecendo as guitarras (Tom Edwards e Gavin King), a bateria (Lee Newell) e principalmente o baixo (Snake - que trocou 3 vezes de viola baixo durante o concerto)... todos estiveram completamente irrepreensíveis.
Alinhamento:
Straight to the Light (Mourning Sun, 2005) (em parêntesis= álbum)
Trees come down (Burning Fields-EP 1985, From Gehenna to Here 2005)
Preacher Man (Dawnrazor 1987/Earth Inferno 1991)
Dawnrazor (Dawnrazor 1987/Earth Inferno 1991)
From the Fire (Fallen, 2002)
Penetration (Zoon, 1996)
Moonchild (The Nephilim 1988/Earth Inferno 1991)
Love Under Will (The Nephilim 1988/Earth Inferno 1991)
Watchman (The Nephilim, 1988)
Mourning Sun (Mourning Sun, 2005)
Encore:
For Her Light (Elizium, 1990/Earth Inferno 1991)
Zoon (Zoon 1996)
Last Exit For the Lost (The Nephilim 1988/Earth Inferno 1991)



























11 comentário(s):
Concordo com quase toda a análise do concerto excepto em duas partes. Uma delas: "nem sequer puxou de alguma forma pelos presentes". No final, ergueu várias vezes os braços e o público aderiu em massa, em uníssono, lindo. Quanto à parte do "entusiasmo da velha guarda se ter desvanecido", assim como em Bauhaus no Coliseu, pela 1ª vez, fiquei estagnada, hipnotizada e tentei absorver tudo o que pude destes concertos. Cada música, cada gesto, cada recordação associada às músicas que há tantos anos me acompanham. Talvez, outros como eu, nós os da velha guarda, tenhamos ficado "hipnotizados", daí não ter sequer pensado em desviar uma vez que fosse o meu olhar daquele palco. Quanto ao Carl, igual a si mesmo, em transe, sem vedetismos, sem arrogâncias, dando-nos o seu melhor, e muito bom, tendo em conta a sua idade. Para mim, não foi perfeito, o som estava com problemas, alto demais, abafava-lhe a voz, no entanto, eu senti, assim como todos os que cresceram com os Fields, sentiram, no fim, chorei e não fui a única. "Forever remain.."
Acho que esta é uma descrição quase perfeita do que aconteceu. Também achei que a música Love Under Will foi a melhor da noite, apesar do sempre entusiasmante Last Exit for the Lost.
Não fosse a relativa pouca adesão de público e o fraco som (já habitual em concertos no Coliseu), e teria sido ultra excepcional.
Senti que o McCoy devia ter interagido com o público, talvez aí levasse ao quebrar do gelo. Tenho a percepção que o público português necessita dessa comunicação da banda para o publico para puder aí ferver o que lhe vai na Alma, ou senão permanece de forma apático no seu canto, a entranhar mas não a envolver-se exteriormente.
Além das várias gerações que falaste, havia muitas de pessoas com mais de 40 anos e até 50. Uma mistura do qual eu achei riquíssimo, que prova de como o tempo dilacera os corpos e permanece a arder. Sempre há quem venha para conhecer, mas eu achei que a maioria das pessoas estavam lá porque conheciam.
Under will Love, Moonchild, Preacher man, Last Exit For the Lost, Mourning Sun, foram para mim as músicas que mais me tocaram.
Sem dúvida um grande concerto, com as vibrações a transbordar nos sons que cintilavam no coliseu. Preferia o concerto no antigo Hard Club:)
P.S: o calor humano tem tantas formas de se manifestar mas sem dúvida que a dança em sintonia acaba por ser aquela que mais empolga.
Excelente crónica do concerto
concordo em parte com o que já foi dito,mas pra quem foi a 2 vez que os viu ao vivo Fields e McCoy são mesmo asim,pouco comunicativos com o público,não são muito efusivos,chegam tocam e vão-se embora,mas bastante profissionais,é claro que pra muitas pessoas pode meter alguma confusão mas McCoy é mesmo assim,até se ve pelas entrevistas sempre distante.
O concerto podia ser melhor,não só pelos músicos que não são excepcionais,mas são bons e acompanharam muito bem McCoy,mas são diferentes dos carismáticos e saudosos membros da formação original,e só nisso já á diferenças,outra coisa foi a equalização do som,pois a sala já tens problemas e se o engenheiro de som não conhecer bem a sala ou fazer um bom check sound,geralmente nunca sai perfeito,o que acabou por acontecer.
Mas no global muito bom e McCoy e a sua carismática voz continua bem viva.
Quanto a tocarem músicas de The Nephilin,desde que os músicos originais saíram da banda,e entraram estes,e estes são um pouco mais agressivos na maneira de tocarem e acho que se nota bem,McCoy começou a introduzir algumas músicas desse projecto nos concertos de Fields,eu não desgosto,pois torna o concerto mais bruto e mostra a veia mais pesada de McCoy.
No global bom e profissonal,Fiels é mesmo assim é Fields.
Também e não esquecer dar os meus parbéns ao Portal Gótico pela iniciativa e organização do convivio gótico nos jardins do Palácio antes do concerto,continuem e arrisquem mais.
Um aparte,não critiquem a banda por não interagirem com o público,e pra quem já os viu e não neste País eles são mesmo assim,critiquem sim o público,que chega ali ouve,ve,aplaude e mais nada,eu vibrei bastante e se gosto não preciso que a banda puxe por mim,e vi sim os estrangeiros presentes na sala a vibrarem.
Já agora e esqueci-me de por no meu comentário,momento alto da noite,pra mim foram todos e era mais um dos quatentões ali presente,foi pra mim Last Exit For The Lost,acabaram em grande.
VAMPIRA: Tens razão em Last Exit For the Lost o McCoy puxou algo pelo público mas mesmo assim não foi muito efusivo.
Darkviolet: havia cinquentões sem dúvida e a curtir até mais que muita gente... O concerto no antigo Hard-Club teria um som fabuloso...mas era gente a mais para o espaço.
Alex: Concordo contigo, o McCoy tem sido sempre igual a si mesmo nos concertos... o publico é que poderia ter participado mais... talvez seja como a VAMPIRA referiu, muito pessoal certamente deveria estar completamente absorto no concerto. Quanto ao Encontro Gótico, tivemos muito gosto em organizar. Quando sair as fotos do Convívio o "people" poderá comentar, sugerir e até reclamar sobre o evento. :)
O público neste País é engraçado,fica todo entusiasmado,efusivo e quando chega o dia fica parado.
Sim concordo,no Hard Club seria muito melhor a nível de som,que o novo abra urgentemente,pois faz falta.
Espero que façam mais encontros destes,e não é preciso haver concertos carismáticos pra se realizarem,mas sim,ter iniciativa e organizar mais coisas deste tipo,no que puder ajudar disponham.
Faz falta neste País ter eventos destes.
Um à parte.. Alguém reparou no Mini-Carl? O fã que é um "clone" do Carl McCoy? :) Como estava "colada" à porta do Coliseu, à espera que abrissem, tive oportunidade de trocar umas impressões com os fãs que seguem a banda por toda a parte. Além de estarem a adorar o Porto e a simpatia dos Portuenses, disseram-me que se os Fields voltarem, voltam com eles. Espero bem que voltem!
Esqueci-me de dar os parabéns ao Portal Gótico, aqui estão. Excelente trabalho!
Quanto às festas "after-concerto", lamento que se tenha esquecido os Fields durante tantos anos para agora fazerem umas (5?) festas dedicadas à banda.
Cumprimentos.
eheh, também reparei nesse Mini-Carl. E pontos altos, sem dúvida o Love under will e o last exit for the lost.
Nesta crítica não percebo muito bem a etiquetagem feita em relação ao público. Ainda sobra uma 3.ª "franja" é? E será ela a dos "trues" que ouvem Fields desde meados dos 80 e que foram dos poucos que reconheceram a "Tree comes down"? Enfim. Pessoalmente apanhei Fields em meados de '90 (sim, com as famosas ca7s já que só + tarde pude comprar os CDs) e no concerto até senti alguma inveja de pessoas que visivelmente eram fanáticos da banda. Eu, não sendo um fanático, considero-a mesmo assim uma banda que me diz muito, e os meus gostos musicais até andam pelos lados do Doom Metal (a versão Funeral/Doom/Death, não a versão lamechas).
Quanto ao concerto, gostei muito, embora não goste dos temas de Nefilim nem do tema "From the fire", que foi aborrecido. Faltaram mais 1 ou 2 temas, a "Vet for the insane", por exemplo, e será de mim mas a "For her light" foi assassinada? Era a que mais aguardava e desiludiu-me. Compensada de imediato pelo ponto alto da noite: "Last exit...".
eu achei que a banda esteve bem a voz de mcoy pareceu me como estivesse a ouvir pela primeira vez o álbum dawrazor á 20 e tal anos só Tenho pena que não tenham tocado " dust" e " laura " mas adorei o concerto espero que venham cá outra vez . Pois lá estarei .p.s. Eu chamo me toze e sou das velhas guardas.
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