domingo, 7 de fevereiro de 2010

Oporto Gothic Meeting é capa e notícia hoje no Jornal de Notícias

In JN, 07 de Fevereiro de 2010

Unidos pelo romantismo
Primeiro encontro gótico do Porto animou Pavilhão Rosa Mota. Aberto a quem queira perceber
00h30m
Ivete Carneiro

Encontro Gotico Porto, Oporto Gothic Meeting

A mentalidade gótica não é tão negra quanto se julga. Diz Marlene. O preto é só uma protecção, um luto pela perda de valores do romantismo. Diz Sérgio*.
São góticos. Críticos da sociedade. Juntaram-se a muitos outros, ontem, sábado, no primeiro Encontro Gótico do Porto.

Liliana faz arte em metal. No folheto de apresentação da obra que expôs no encontro do Palácio de Cristal, tem um código de barras. É para alertar contra os rótulos com que são estigmatizados os que são diferentes. "Não somos mercadoria. Somos humanos". Com uma forma própria de estar na vida e na sociedade: de luto por ela ter esquecido valores como a cordialidade, a simpatia, o respeito, o espírito de ajuda. Diz Sérgio*. Pela não-violência.

Mas tudo isso contrasta com a agressividade da imagem, não? Sim. A imagem é isso mesmo. A crítica, sob a forma de arte. De rótulo. Mas um rótulo que não é o que "as pessoas" percebem. "Associam-nos muitas vezes a satanismo, a movimentos mais negros da religião". Diz Liliana. E é "tudo falso". Mesmo que cultivem o lado negro das coisas. Da roupa e não só. Dos espaços. Como aquelas ruas abandonadas do Porto que Liliana, outra, fotografa. Lugares onde, antes de haver espaços góticos, os góticos e subgéneros se juntavam para sentar-se e dar à letra. Só. Romantismo.

Ontem, a ideia do Portal Gótico foi quebrar o isolamento dos pequenos grupos e juntar a comunidade. No país, Sérgio* calcula que terá uns 20 mil membros. Não há contas, não há associações, não há estruturas organizadas. Ontem, a ideia foi aproveitar a vinda ao Coliseu do Porto dos míticos "Fields of the Nephilim" e conviver. Num cantinho do Pavilhão Rosa Mota, cedido pela Autarquia, saudada por não olhar de lado um rótulo que não o é. E a prova de que não o é está em Marlene. Veste roxo. "O estilo é só para flectir os outros". Ela opta pela mentalidade.

A prova está também em Darkkensoul. Veste negro, mas normal. Porque é de uma onda mais abrangente, a do início, do "movimento de vanguarda" mais urbano e menos romântico, que nasceu no eixo Manchester-Liverpool da indústria desempregadora. Dos Joy Division. O romantismo do vestir e do sentir veio depois. Com trajes vitorianos, caras pálidas, olhos sublinhados. Desses traços que a sociedade olha de lado. E há também Nélson, ganga azul e pulôver vermelho, performer de mentalismo. Jogos psicológicos para desmistificar crenças. Uma forma de estar. "

*aka Peculi


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