domingo, 23 de maio de 2010

Post-punk/pós-punk - género musical e contextualização

O pós-punk tem a sua origem no Norte de Inglaterra pós-industrial, nomeadamente em cidades como Manchester, Leeds e Sheffield.
A Inglaterra pós-industrial debatia-se com uma enorme crise social e económica devido essencialmente ao vasto encerramento das fábricas que originou um exponencial aumento do desemprego traduzindo-se numa depressão económica e mental da sociedade e crescente aumento da pobreza. Politicamente, o partido trabalhista (Labour) encontra-se no governo desde 1975 e no inverno de 1978-1979 dá-se o "Winter of Discontent", período em que haveria um vasto número de greves contra as políticas do actual primeiro-ministro James Callaghan, entre as quais, o congelamento dos salários para controlar a inflação do país. Em 1979 ascende ao governo o partido conservador com Margaret Tacher... mas nem tudo corre bem... Margaret Tacher privatiza grandes empresas como British Aerospace (1981), British Telecom (1984) e incentiva as empresas inglesas a deslocarem as suas fábricas para países em vias de industrialização como a China e a Tailândia, o que veio a originar o encerramento de muitas mais fábricas e o aumento vertiginoso do número de desempregados de 1 milhão (1979) para 3 milhões (1980).

O Pós-punk ou post-punk como movimento musical surge nos finais da década de 1970 e tem a sua origem no punk, o qual já vinha a dar cartas em Inglaterra desde o início da década. O pós-punk pega em conceitos da subcultura punk como o "DIY lifestyle" (Do it Your Self). As pessoas começam a escrever e a publicar revistas, conhecidas por fanzines. Nas fanzines escrevia-se de tudo desde a poesia, críticas, letras de músicas, etc. Os artistas expunham as suas obras fora das galerias, preferindo expor a sua arte nos Bares Nocturnos ou edifícios devolutos. Por seu lado, as bandas criavam e e editavam a sua própria música, criando editoras independentes, sendo que a mais conhecida é a Factory Records, criada em 78 e de que faziam parte grupos como Joy Division, New Order, A Certain Ratio, Happy Mondays,...etc.

O termo Post-punk surge pela primeira vez pela revista musical inglesa Sounds Magazine em 1977 para descrever o som de Siouxsie and the Banshees. Nesse mesmo ano (1977) surge um grupo claramente anti-social e que se auto-denomina “Geração X” ou “The Clash”. É igualmente em 77 que é lançado um álbum de estreia de uma banda punk com contornos políticos “Nevermind The Bullocks: Here's the Sex Pistols." Os Sex Pistols elevaram na Inglaterra a geração punk a uma moda.

É neste ambiente conturbado social (referido anteriormente) e musicalmente que se dará a chamada ”punk revolution”, ou seja, o surgimento de bandas que, inspiradas pelo espírito e pela música e crueza (estado bruto) do Punk, enveredam por novas áreas e por um experimentalismo musical.

O Pós-punk perde a essência de revolta sonora e politica do punk tornando-se num género musical mais complexo, elaborado e diverso. Surgem então bandas como Roxy Music e David Bowie por um lado, e por um outro Joy Division (1976) e The Cure (1978*) que criam ambientes sombrios com o uso de sintetizadores (máquina de ritmos).


Porém, é na década de 1980 que o post-punk atinge a sua plenitude e é através deste movimento que surge o Gothic Rock, Industrial e Rock alternativo. O Pós-punk enquanto estilo musical, modo de estar e mentalidade está ainda presente nas diversas "sociedades" undergrounds.



Algumas Bandas de Post-Punk:

The Cure
Echo & the Bunnymen
Joy Division
Lene Lovich
New Order
Siouxsie and the Banshees
Talking Heads
Bauhaus
The Birthday Party
Cabaret Voltaire
The Cramps
The Creatures
Depeche Mode
The Mekons
The Psychedelic Furs
Violent Femmes
Nick Cave
The Chameleons UK
Nina Hagen
The Jesus and Mary Chain
The Lords of the New Church
New Model Army
Simple Minds

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