sexta-feira, 2 de julho de 2010

Entrevista aos ESC - Eden Synthetic Corps

Antes de mais gostaríamos de agradecer aos ESC por se disponibilizarem para esta entrevista. Bem, vocês já estão na cena há algum tempo e após o fantástico álbum de 2008, já editaram outros dois. O que é que têm feito no espaço de tempo entre os álbuns?
Diesel: Olá e obrigado pela entrevista. O Hypecrash e Chainheart dedicaram algum do seu tempo a compor música para o side-project, Hystakmine. Depois começámos a compor o nosso novo álbum que demorou algum tempo pois queríamos superar os álbuns anteriores. Então demos todos o nosso melhor para o tornar realidade.
Talvez seja melhor recordar os leitores acerca dos membros da banda. Hypercrash, podes-nos falar um pouco sobre o Chainheart?
Hypecrash: É geralmente alguém muito “terra à terra“. Gosta sobretudo de conduzir o seu veículo 4x4 e de tocar guitarra enquanto vê um DVD ou ouve música na aparelhagem.
Chainheart, qual o facto mais intrigante sobre o Glamour Diesel?
Chainheart: Come Corn Flakes ao mesmo tempo que bebe uma Cola.
GlamourDiesel, qual foi a tua impressão quando conheceste Hypercrash? Tornou-se verdadeira essa impressão?
G. Diesel: Ele tocou à porta de minha casa e pediu-me um jogo da Gameboy e eu nem sequer o conhecia. O meu primeiro pensamento foi: "Deves estar a brincar comigo!"
Hipercrash, podes por favor apresentar IDK?
Hypercrash: Ele é baterista, e creio que, como todos os bateristas, é louco, aliás, o mais louco da banda.
Como descreveriam o vosso som?
Hypecrash: O nosso som é melódico (principalmente melodias negras), as batidas são algo intensas e as vocalizações são duras. Tentamos fazer com que a nossa música seja única num meio de centenas de clones e tentamos levar um pouco de metal da nossa anterior reencarnação como banda, mesmo que não incluamos guitarras.
Como se encontraram e planearam formar uma banda deste género?
IDK: Tivemos uma banda antes, por mais de 10 anos. Um dia decidimos fazer uma mudança radical e então começámos a compor músicas num estilo complemente diferente e como todos gostávamos de música industrial agressiva, então aqui estamos.
Qual é o significado do título do álbum: "Eight Thousand Square Feet"?
G. Diesel: Oito mil metros quadrados (Eight Thousand Square Feet) é o tamanho de uma mansão onde todo o conceito tem lugar. Um tipo entra numa mansão e encontra diferentes dimensões e criaturas lá dentro. É confrontado com o seu passado e com os seus receios do futuro.
A obra inteira é construída a partir de uma banda desenhada. Podes-nos explicar o conceito?
G. Diesel: Como explicava anteriormente, o álbum conta a história de um homem cuja vida muda radicalmente, no momento em que, numa noite, ele entra numa mansão abandonada no meio de uma enorme e negra cidade. Dei o meu melhor para que a história condissesse com as músicas. Tivemos a ajuda de um fã em algumas imagens e como eu tinha escrito previamente um enorme texto para ser incluído no booklet, decidiu-se que teria mais impacto para o público se a história fosse descrita em imagens, mesmo que tivesse apenas alguns excertos de texto.
Voltando atrás um pouco... Quais são as diferenças entre este novo álbum e os anteriores „Matte“ e „Enhancer“?
Hypecrash: Na minha opinião, este álbum soa como uma mistura entre „Matte” e “Enhancer”. Se ouvirem músicas como “Correcting God’s Design”, verão o que quero dizer. As partes obscuras e temperamentais que caracterizam “Enhancer” e a melodia e os refrões fortes soando mais como o “Matte”. Tal não foi intencional mas não deixo de sentir isto quando agora ouço o álbum. Gosto imenso da parte rítmica das músicas por isso tentei dar o meu melhor para as enriquecer. Penso que a identidade de ESC está realmente presente neste terceiro trabalho.
Como foram as reacções aos primeiros álbuns?
IDK: Foram simplesmente espectaculares. Pessoas de todo o mundo enviaram-nos feedbacks positivos e isso fez-nos avançar pois deu-nos o impulso criativo para criar novas e melhores músicas.
Acham quem têm mais fãs em Portugal ou no estrangeiro?
Chainheart:No estrangeiro, sem dúvida. Diria que a maior parte está na Rússia e na Europa Central e de Leste. Portugal é um país bem pequeno com uma cena alternativa também pequena.
Ok, „Eight Thousand Square Feet“ contém 12 músicas. Há alguma que seja a vossa preferida e que possam indicar espontaneamente?
IDK: Penso que todos concordamos que a White Beast é a nossa favorita.
Porquê a música "Eight Thousand Square Feet" deu nome ao álbum ou vice-versa?
G. Diesel: Escolhi esse nome devido ao sentimento/temperamento sombrio que a música transmite. É exactamente o sentimento que se quer que as pessoas sintam quando pensam na mansão onde a história acontece. Na verdade escolhi o nome da música após ter dado nome ao álbum.
"Correcting God’s Design" é um título fixe e visualizo já imagens sobre isso. O que gostariam de corrigir?
G. Diesel:Há muitas coisas que gostaria de corrigir, mas tendo o contexto em mente, aquela música é acerca da nossa personagem principal que tenta lutar contra o que Deus escolheu para o seu destino. Toda a experiência do homem dentro da Mansão é vista como a redenção dos seus pecados passados.
Porquê Raiva?
Esta é uma música onde o nosso personagem pensa como foi gozado toda a vida e um dia decide acabar com esse gozo e mata toda a gente que troçava dele. Ele não pode deixar de sentir que está a pagar por todos os seus pecados dentro da casa.
"Le Voyage d'Ivoire Sophisme" – porquê a língua francesa? Do que trata esta música?
G. Diesel: Este título está em francês mas as letras são em inglês. A música integra o conceito da história, descrevendo outra experiência da nossa personagem dentro da casa. Na verdade, escolhemos o título em francês porque soava muito bem na língua francesa. :)
Jan L. of X-Fusion colaborou nessa música. Como tornaram isso possível?
Hypecrash: Inicialmente, a música “Le Voyage d’Ivoire Sophisme” era para ser um tema instrumental com o título de “Psicose Dolorosa” mas acabamos por pensar que soaria muito bem com letras. Não escondo que X-Fusion e Noisuf-X são duas das minhas bandas favoritas, então foi um privilégio poder trabalhar com Jan. Falamos com ele para sabermos da sua disponibilidade e interesse e o resultado final foi espectacular.

O que aconteceu a -48ºC no vosso mundo?
G. Diesel: Esta é a temperatura que o nosso personagem suporta numa das divisões/dimensões a que é transportado. -12ºC já é demasiado para nós, então se isto acontecesse no nosso mundo… bye bye ESC.
«Leitbild» é a única faixa alemã com a participação de Carsten dos [:SITD:]. De que forma ele influenciou o som ou a música em si?
G. Diesel: “Leitbild” foi, juntamente com “Concrete” e “An Horizon Inside Four Walls”, uma das músicas que escrevi para este novo álbum. Assim que a terminei pensei que soaria fantástica com a voz de Carsten. Sempre adorei [:SITD:] e eles foram uma das razões que nos levaram a começar a tocar neste estilo, então foi uma honra para nós tê-los a cantar uma das nossas músicas. Pedi-lhe para escrever as letras em alemão e o resultado foi excelente. Estou realmente satisfeito com o resultado e estou seguro que tanto os fãs de ESC e de [:SITD:] irão curti-la, por isso lanço o convite para a ouvirem!
Durante quanto tempo trabalharam no álbum? Há algumas situações caricatas aquando do seu processo de produção?
IDK: Fora as brincadeiras usuais, de momento e do que me recordo, nada de especial aconteceu de que possa lembrar-me. Trabalhamos durante bastante tempo no álbum porque nem sempre podemos estar juntos devido às nossas vidas profissionais e também porque queríamos que, desta vez, o som estivesse no limiar da perfeição.
Se tivessem super-poderes, quais seriam?
G. Diesel: Hum, eu gostaria de poder de comer tudo o que quisesse e conseguir manter um sangue saudável. Acabei de fazer um análise ao sangue e estou lixado. Invisibilidade seria porreiro também.

IDK: Invisibilidade também, penso.

Hypecrash: Haverá algo melhor que a invisibilidade?

Chainheart: Penso que não. Invisibilidade também. Ah ah!
Podem revelar-nos quais as coisas mais importantes nas vossas vidas que nunca poderiam abondonar?
Todos: Nossas famílias e os amigos verdadeiros, sem dúvida.
Se a Britney Spears aparecesse subitamente no vosso quarto à noite, o que vocês fariam?
G. Diesel: Jogaria xadrez com ela. Estou certo que ganharia. Por amor de Deus, não poderias ter escolhido Christina Aguilera?

IDK: Amarrava-a à cama e obrigava-a a ouvir Mr. Bungle uma dúzia vezes.

Hypecrash: Eu chamava os tipos do hospital psiquiátrico.

Chainheart: Eu chamava a polícia.
Como gastariam um jackpot de um milhão de dólares?
G. Diesel: Hum, numa grande casa e viajaria imenso.

IDK: Preciso de alguns meses para pensar nisso.

Chainheart: Viajar até acabar o dinheiro.

Hypecrash: Dar a volta ao mundo.
Quais são os vossos pensamentos espontâneos acerca dos seguintes tópicos:

Crise Económica
G. Diesel: Não estamos sempre em crise? Cresci com essa palavra e para ser honesto não estou a viver pior que estava antes. Porém, é uma pena para pessoas com salários baixos e famílias numerosas.
Poluição petrolífera
Hypecrash: Os responsáveis deveriam ser severamente punidos.
Barak Obama
IDK: Parece ser um tipo porreiro mas tenho receio que ele seja capturado pelo enorme polvo diabólico que é a política, como todos os outros.
Deus
G. Diesel:Não posso dizer que sou uma pessoa religiosa mas respeito as pessoas que crêem em algo.
Crença
Hypecrash: Precisas de acreditar em ti se quiseres ir a algum lado com os teus projectos de vida.
ESC
Chainheart: É a minha tecla favorita do teclado. Seria útil haver uma também na vida real.
Grécia
Hypecrash: Parece ser um país muito fixe para visitar mas não os posso perdoar por terem ganho a taça europeia aqui em 2004.
Música
IDK: Não se pode viver sem a música.
Skinny Puppy
G. Diesel:Dá-me vontade de dançar breakdance
Madonna
Hypecrash: Há piores.
The Cure
IDK: Disintegration é a faixa para muitas das minhas tardes a beber cerveja no terraço.
Mr. D’Angelo
G. Diesel: Ele é o chefe, muito fixe e engraçado na vida real também.
Passado
G. Diesel: Ontem
Presente
Chainheart: Hoje
Futuro
IDK: Michael J. Fox.
Quais são os vossos objectivos e planos para o futuro dos ESC?
Todos: Desejamos tocar no estrangeiro o máximo possível. Esse é o nosso principal objectivo para o futuro dos ESC.
Muito obrigado por responderem a todas estas questões. Desejamos que tenham muito sucesso com o vosso terceiro álbum „Eight Thousand Square Feet“.

Umas palavras finais:
Todos:Obrigado pelas simpáticas palavras. A entrevista foi porreira e engraçada. Gostaríamos de convidar o pessoal que gosta de música electro-industrial com personalidade, identidade e batidas intensas a ouvir-nos. Garantimos que não vão ficar desiludidos.


A entrevista foi realizada pela Promofabrik e traduzida pelo Portal Gótico
by PromoFabrik (www.promofabrik.com) - May 2010

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