terça-feira, 9 de agosto de 2011

Entremuralhas 2011 - Dia 1 - Crítica, opiniões e foto-reportagem

Caros leitores: esta será uma crítica algo diferente, iremos destacar a opinião, pontos de vista e comentários de vários colaboradores do Portal Gótico relativamente a algumas bandas dos três dias do festival. Este é um resultado sem dúvida interessante e esperamos que seja igualmente do vosso agrado.

O Entremuralhas 2011 arrancou a segunda edição com a prestação de Ignis Fatuus Luna, um grupo de dança nacional de Gothic Belly Dance. Um início bem ritmado deste conjunto de bailarinas lisboetas que encantaram com a sua dança.



IRFAN na perspectiva de Yggdrasil

Crónica de uma Noite Anunciada

Yggdrasil
A cavalgada até Leiria decorreu sem sobressaltos de maior mas, depois, a conquista figurada do Castelo acabou por ser mais complexa do que inicialmente se esperava. Uma vez que o posto avançado escolhido para o ataque (uma hospedaria sita no centro histórico da cidade) se revelou, também ela, pouco acessível. Muito devido às obras de pavimentação em curso, bem como outros trabalhos de requalificação urbana.

De qualquer forma, após alguns avanços e recuos, a reconquista continuou mesmo ao início da noite do dia da graça de 29 de Julho. Um primeiro fôlego até ao m|i|mo (Museu da Imagem em Movimento), de modo a apreendermos a senha encriptada para a invasão do Castelo. A fortaleza parecia inexpugnável e nem a Porta da Traição se afigurava como alternativa…

No entanto, graças ao zelo de alguns membros daquele pequeno grupo vestido de negro, foi possível tornear as dificuldades colocadas pela primeira linha de defesa da população sitiada. Depois de um percurso ascensional dificultado pela pesada carga dos invasores (rezam as crónicas que as casas de pasto fora das muralhas contribuíram decisivamente para esse estado), foi possível franquear a entrada monumental.

E eis senão quando (para grande surpresa nossa), a secular fortaleza regozijava de alegria e animação, como se já esperasse por todos aqueles invasores. Incrédulos, olhámos uns para os outros, na expectativa de identificar o «bufo» que arrasara por completo com a nossa missão imperialista. Ainda a medo, alguém sugeriu que se tratava de um espião multifacetado, com inúmeras caras e disfarces, que dava pelo nome de Conde Olaf von Feičebúk.

A desconfiança e a incredulidade deram então lugar a uma sensação de alívio, pois afinal não havia traidores entre nós! O acolhimento foi delicioso, sendo que as boas vindas tomaram forma sob um magnífico banquete à boa maneira medieval. Havia porco no espeto e uns pãezinhos suculentos, talvez amassados pelas mãos sábias de alguma descendente da Padeira de Aljubarrota…

Também ânforas enormes cheias de cidra (cortesia de umas cortes distantes, lá para terras da Gália), barricas de generosos néctares de uva (porque não escrevi logo vinho? Raios partam os eufemismos de linguagem deste vosso cronista!) e, também, uma bebida de cevada, servida bem fresca. Que estava disponível em dois sabores e cores. Poderia ser melhor? Não, de modo algum!

Ali se juntaram suevos, visigodos, lusitanos, mouros, celtiberos, saxões, bárbaros e outros tantos povos que os nossos parcos conhecimentos nestas matérias da história não nos permitiram identificar claramente… O machado de guerra foi logo enterrado e sem mais delongas!

Em boa verdade, nem o chegámos a trazer de Olissipo, pois pesava imenso e as nossas montadas relinchavam furiosas. De imediato nos lembrámos das palavras sábias de um passado não muito distante: “… mais vale burro que me carregue do que cavalo que me derrube…”. E alguns de nós acabaram por sentir tal premonição catastrófica nas espaldas e nos glúteos. Mas adiante, que de outras histórias se fez esta reconquista!

Sim, o nosso informador principal, falou recorrentemente de um “Palco Alma” e em como o mesmo (nos) convidava para uma noite singular, sob um céu estrelado como havia poucos. Este vosso cronista amaldiçoou vezes em conta o dito informador, pois aquele percurso sinuoso nem para as cabras servia mas enfim! Ai que saudades dos tempos de outrora em que havia tapetes voadores, que facilitavam todas aquelas viagens…

As diversas trupes de invasores concentraram-se pois num canto afastado do Castelo (mais afastado que aquele não era decerto possível, raios e coriscos!). E lá estavam outra vez as tais bebidas do demo… Perdão, de cevada! A jorrarem ininterruptamente de umas torneiras retortas, sendo servidas nuns recipientes leves, aparentemente roubados de um super-herói que nenhum de nós conhecia. Bock? Alguém ouviu falar? Parece que há um veterano que joga futebolês por terras de Freamunde mas não deve ser esse…

Foi a partir desse momento que todos nós nos sentimos um só corpo, em busca da alma por vezes perdida nas fortalezas desumanas que nos cerceiam os movimentos ao longo de dias monótonos e sensaborões. Nesses aglomerados cinzentos de onde surgimos, para então invadirmos Leiria e o seu belíssimo castelo altaneiro. De uma traça gótica irrepreensível, de se morrer por mais.





Foi pois ali que, desafiando tudo e todos, chegou até nós um colectivo de cinco elementos, liderado por uma voz angelical. Sim, estamos a falar da princesa Hristina Pipova e das suas melodias de encantar. Com uma longa tradição vocal misteriosa (quem não se lembra de “Le Mystère des Voix Bulgares”?), a princesa não se fez rogada. Pelo que tanto ela como os seus fiéis acompanhantes fizeram questão em encantar a plateia esfusiante.
Alguém nos disse que aquele colectivo se dava a conhecer pelo nome persa de Irfan. Um de nós, mais dado a estas coisas dos alfarrábios, logo alvitrou o significado nebuloso daquele étimo. Que significa conhecimento e/ou consciência (o leitor escolhe). Também se poderia falar de gnose, ou da propensão para desvendar tudo o que não é evidente ao primeiro olhar. Deliciados? Nós também ficámos!


Sentia-se uma leve brisa no ar. As árvores retorcidas em torno do palco dançavam cerimoniosas e a nós apenas restava fechar os olhos e escutar... Também desejar que aquela viagem intemporal não acabasse nunca. Os espíritos muito apreciados de Lisa Gerrard e Brendan Perry decerto que estiveram presentes, levantando por vezes o véu sob todos aqueles venturosos acontecimentos. Ao ritmo de uma versão irrepreensível de “Svatba” e em como os caminhos para o paraíso de cada um passaram mesmo por ali, em Leiria.

E assim me despeço, com pesar, porque muito mais haveria para dizer… Mas a pena está decrépita e quase sem tinta, pelo que este vosso escriba tem agora que descer da fortaleza. Para então procurar outras formas de expressar todas aquelas emoções que guarda junto do coração palpitante. Bem hajam os senhores do Castelo por tão bem nos terem acolhido, sendo certo que dali regressámos com a alma cheia. Aquele festim inesquecível vai perdurar na memória de todos quantos, um dia, talvez já para o ano, lá voltarão – de corpo e alma – para mais uma daquelas cruzadas. Bem hajam por tudo!


DJ Yggdrasil
Irfan Setlist:
1. Peregrinatio 
2. Hagia Sophia 
3. The Cave of Swimmers 
4. In the Gardens of Armida 
5. The Golden Horn 
6. Burana 
7. Day to Pray 
8. Untitled (Dead Can Dance cover - Svatba) 
9. Otkrovenie


SOL INVICTUS

Wakeford foi baixista na banda punk Crisis de 1977 a 1980, formando os Death in June com Douglas Pearce e Leagas e em 1987 criou Sol Invictus com o seu dark/neo folk. Wakeford apresentou-se no palco Alma logo após Irfan. Destaque para a voz profunda e melodiosa do vocalista juntamente com os ritmos que deliciaram os presentes.






NITZER EBB

Vindos de Essex, Inglaterra, os Nitzer EBB com Douglas McCarthy (Vocais, Programação) e Vaughan "Bon" Harris (Percussão) trouxeram-nos o Electronic Body Music, já que são umas referências ímpares a nível internacional do ebm old-school. As suas referências musicais centram-se em bandas como Bauhaus e Killing Joke sendo actualmente eles próprios influências para grandes bandas como VNV Nation e And One. Os fãs de EBM ficaram extasiados com a força e dinamismo em palco desta banda.



 

  


  Setlist Nitzer EBB


Amanhã o 2º dia do Entremuralhas  2011 com a crónica de Carlos Matos!

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