terça-feira, 30 de agosto de 2011

The Danse Society - Change of skin

Olho para a capa e recuso-me a acreditar que o disco que tenho nas mãos é de uma das bandas míticas do gótico rock dos anos 80. Coloco o cd no leitor e em vez da característica voz de Steve Rawlings, surge uma voz feminina. Ou seja, logo pela base a expectativa que tinha criado para o renascimento dos The Danse Society caiu pela base.

Mas voltemos um pouco atrás. A banda foi a responsável por um dos álbuns fundamentais dos anos 80, Seduction, e de alguns singles brilhantes, com destaque para We’re so happy e Wake up. Lançaram depois um álbum mais pop, e que lhes granjeou algum sucesso comercial. Falamos de Heaven is waiting, que continha uma versão muito bem conseguida do 2.ooo lights years from home. E quem não se lembra do genérico do Som da Frente, do saudoso António Sérgio, que entre o Song and dance (The Sound) e The chant has just begun (The Alarm), saudava-nos com o Say it again (single de 1985). Pouco depois a banda terminaria com pouco brilho, com o dispensável mini LP Looking through.

25 anos depois começam a aparecer nas redes sociais boatos sobre uma possível reunião da banda e com o possível lançamento de um álbum para Agosto. Falava-se também na altura que iriam entrar numa tour que podia trazer os Danse Society ao nosso país em Novembro. Os boatos tinham razão de ser e eis então que é editado Change of skin. Da banda original restam Paul Nash (guitarras) e Paul Gilmartin (bateria) e David Whitaker (teclas), aos quais se juntou a vocalista, Maethelyiah.

E sejamos sinceros, este não é, nem nunca poderia ser um disco dos Danse Society. Não que estejamos perante um disco mau. Mas é uma tremenda heresia dizer-se que a banda voltou-se a reunir 25 anos depois e que lançaram um álbum. Soa a publicidade enganosa.

Mas aparte estes fait divers, como já referi o disco não é mau. Apenas datado. Tem até algumas músicas bem conseguidas (God cry, Slowfire, Let me sleep). Se tivesse sido editado há 20 anos atrás, passaria despercebido no meio de bandas como Ghost Dance ou X Mal Deutschland, mas teria conseguido algum tempo de antena. Em 2011 está condenado ao anonimato e ou muito me engano ou estaremos perante o canto de cisne da banda (ou do que resta dela).

Classificação: 2,5 / 5






segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Archétypo 120 - Basement Bar (Porto) - 27 de Agosto de 2011.

Os Archétypo 120 actuaram Sábado, no Basement Bar (Porto). A banda formada inicialmente por Paulo Martins e António Macedo em 2004 (embora estes dois elementos tenham vindo já a tocar juntos desde 1988 em projectos conjuntos) apresentaram-se no Porto com o novo baixista Luís Lisboa a um público desejoso de os ouvir, tendo em conta que esta banda é a única de destaque na cena post punk/ cold wave e no activo na zona Norte do País. Além de temas conhecidos, a banda presenteou-nos com a apresentação de novos temas que entretanto só tinham sido ouvidos via MySpace.



Paulo Martins, o vocalista, é um nosso amigo da cena e vendo-se rodeado de outros tantos amigos no público, demonstrou a sua simpatia e alegria durante todo o concerto, brincando com os presentes entre as músicas. No entanto, sempre que retomavam a performance, os Archétypo 120 entravam em modo profissional tendo o baixista Luís Lisboa dado um lufada de ar fresco e dinamismo à banda. Pese contudo o facto que no início o som do microfone estava algo baixo mas tal foi corrigido um pouco depois pelo técnico de som.



 Vivemos um revivalismo sério e profissional de algumas bandas nacionais, em que os Archétypo marcam a sua presença e a sua qualidade musical e som underground a par de bandas como Phantom Vision, Noctivagus e Bal Onirique (relativamente a estes últimos aguardamos ansiosamente o regresso aos palcos e ao activo... segundo informações informais tal está para breve...).

 
 Venham mais concertos destas grandes bandas nacionais que o público agradece. Pessoalmente tive muito orgulho e um prazer tremendo em assistir aos Archétypo 120... tanto que nem quis perder grande tempo com fotos para poder me deliciar com cada acorde vindo do palco. Concluindo, a noite foi no mínimo excelente, revivalista, intimista, como devem ser sempre com estas nossas tão queridas bandas.


Setlist:
01 - Intro: The Danse Society (Come Inside)
02 - Lies
03 - Private Hell
04 - Now
05 - Angel's Fall
06 - Fade Away
07 - Deception
08 - Never Agian
09 - Heartache And Death
10 - Say It Again (The Danse Society)
11 - Heures d'Obscurité
12 - Nothing To Lose

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Eventos da Semana - Fim de Agosto - Semana 37 de 2011

Sexta, 26 de Agosto
--------------------------------

Almada, Covil Bar
[Concerto + Festa] La Chanson Noire - Live act

Lisboa, Metropolis
[Festa] The Final Hour


Sábado, 27 de Agosto

--------------------------------
 Leiria, Beat Club
[Festa] Unknown Pleasure Night - Dj Carlos Matos


Lisboa, Club Noir
[Festa] O turno da Noite - Dj Yggdrasil e Serotonin





Porto, Basement Bar

[Concerto + Festa] Archétypo 120 - Live act



Porto, Plano B

[Festa] Ritual Sinergy


Para divulgação de eventos, por favor envie com antecedência press release + cartaz para info@portalgotico.com

Atenção: Os eventos enviados via redes sociais (facebook, myspace, etc.) poderão não ser considerados para publicação. Para maximizar a possibilidade do evento ser publicado na agenda, por favor enviar email directo para o endereço supra-citado do Portal Gótico, com 2 semanas de antecedência e a data e nome do evento em assunto. Gratos pela compreensão.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Entremuralhas 2011 - Dia 3 - Crítica, opiniões e foto-reportagem

NARSILION
Os Narsilion em 1999 ainda era um projecto pessoal de Sathorys Elenorth e em 2000 grava três demos. Após uma incursão de Sathorys na banda de Aranmanoth e terminada em 2002, Sathorys retoma o seu projecto e juntamente com Lady Nott estabelecem as bases da banda em 2003. Narsilion foi o nome escolhido, significando em Élfico “a música da lua e do sol”. A partir desse momento ascenderam graças ao seu talento e música ambiente/ethereal. Em 2007, estiveram presentes no Wave Gotik Treffen e embora fossem bastante conhecidos do público português ainda não tinha havido a oportunidade de os ver em concerto em terras lusas. Graças à Fade In houve essa oportunidade. Os Narsilion encheram por completo o espaço da Igreja da Nossa Senhora da Pena, que se tornou pequeno demais para tantos fãs e tão grandiosa música.





Setlist:
1. En les portes de l?eternitat
2. Amaurea
3. The voice of sin
4. Montsegur
5. Senshi
6. The quest of legacy
7. A new beginning
8. Lost horizons
9. Pedraforca ? Terra de bruixes
10. En la memoria del vent
11. Desperta ferro
12. Beltane


TROBAR DE MORTE
Os Trobar de Morte iniciados em 1999 e contando já com 3 álbuns de estúdio nomeadamente Nocturnal Dance of the Dragon (2003), Fairy Dust (2005) e Legends of Blood and Light (2008) fizeram as delícias do público no Palco do Entremuralhas, neste 3º dia de festival. Esta banda de Medieval Folk que já tocou por duas vezes no Wave Gotik Treffen (2005, 2008), apresentou-se pela primeira vez em Portugal com Lady Morte na Voz, Armand (na Percussão e baixo), Jose Luis Frías (Gaita de Foles, flautas), Fernando Cascales (guitarra), Marta Ponce (violino). A banda iniciou o seu concerto pouco após das 21h00 e, de uma forma objectiva, podemos afirmar que a grande maioria do público presente estava simplesmente a adorar o espectáculo. Todos os artistas são fabulosos, desde a percussão, aos vocais, ao violino e guitarra, porém e se nos permitem, gostaríamos de salientar a fabulosa mestria de Jose Luis Frías que nos encantou com as flautas e gaita de foles. Aos Trobar de Morte um obrigado pelo encanto de noite que nos proporcionaram.





Setlist:
1.intro: Beyond the woods
2.The harp of dagda
3.Rise and fall
4.Excalibur
5.Natural dance
6.Los duendes del reloj
7.Morrigan
8.Ordo militum christi
9.Talisman
10.Cuncti simus concanentes
11.The sorceress
12.Ancient echoes/presentación
13.Aqualuna

encore:
cuncti simus concanentes

ARCANA na perspectiva de André Leão

André Leão
Foi numa noite de muito frio que aconteceu um dos melhores concertos do Entremuralhas 2011. Infelizmente não consegui chegar a tempo de ver os Trobar de Morte. Consta, por quem viu, que proporcionaram também um concerto bastante razoável e que deram o mote para a belíssima performance dos suecos Arcana, que pela primeira vez actuaram no nosso país, embora existam há mais de 15 anos. O significado será ainda maior se dissermos que este será o único concerto da banda durante o ano de 2011.

Os Arcana têm a sonoridade típica da insuspeita editora Cold Meat Industry. Por vezes entram claramente no campo do Dark Folk, outras vagueiam mais pelos ambientes medievais. Os Dead Can Dance serão um termo de comparação óbvio, embora desta vez não tenham tocado a cover do Enigma of the Absolute. Mas a qualidade dos seus discos, essa permanece sempre no topo.


Quanto ao concerto, este até começou bastante morno com o tema Chant of the Awakening. A recepção do público também foi um pouco morna de início, talvez devido ao frio, ou talvez pelo facto de ainda muita gente estar a entrar no recinto do Palco Alma por esta altura. Algumas pausas um pouco mais longas entre as músicas também não ajudaram a criar logo uma grande empatia entre os elementos da banda e a audiência.

No entanto, aos poucos a banda foi perdendo a sua timidez, as belíssimas vozes, quer do Peter Bjärgö, quer da Ann-Mari e da Cecilia (esposa de Peter), foram-se soltando, e o público foi absorvendo tudo o que saia do palco duma forma muito mais calorosa, notando-se claramente que na audiência existiam muitos conhecedores da discografia da banda. As pausas entre as músicas foram-se tornando mais preenchidas, com algumas histórias contadas pela Cecilia e pelo Peter, nomeadamente o facto de estarem muito contentes pelo facto de pela primeira vez terem visitado o nosso país, e também do Peter estar meio adoentado, condicionando a actuação da banda, pelo menos em termos de tempo.


 O setlist foi preenchido com temas de quase todos os álbuns da banda, incluindo o belíssimo Like Statues in the Garden of Dreaming do primeiro álbum, e até com 2 temas da discografia a solo do Peter. Foi também estreado um novo tema, a ser incluído num futuro álbum dos Arcana.
Resumindo, foi um concerto sempre em crescendo, e o único senão foi a curta actuação (perto de uma hora), mas por motivos já referidos.

O público seguiu então para o palco principal para ouvir os Diary of Dreams, numa actuação tecnicamente irrepreensível, mas ao qual faltou a simplicidade e brilhantismo que pautou a performance dos Arcana.






texto e vídeo por André Leão



DIARY OF DREAMS
Os Alemães Diary of Dreams voltaram pela quarta vez a Portugal, segunda a Leiria pela mão da Fade In. Os Diary enquanto cabeças de cartaz deste último dia do Entremuralhas estiveram a um bom nível pese embora, e a nosso ver, a setlist escolhida para noite não ter sido a melhor.












Setlist:
Intro
Wedding
Undividable (novo álbum)
King of Nowhere
Nekrolog
She and her darkness
The Chain (IF)
Splinter
Darkest of all Hours
Choir Hotel
Hypocryptickal
Odyssey Asylum
Echo in Me
The Plague
Kindrom
                                 Encore
Menschfeind
Chemicals
                                 Encore
Traumtänzer

Conclusão:
O Entremuralhas foi, uma vez mais, muito bom, as bandas, o convívio, o lugar, etc....
A organização do evento, a Fade In, está de parabéns, a sua actuação foi completamente irrepreensível.

Porém, em termos de programação e por diversas vezes ouvimos comentários sobre como seria bom se, na próxima edição, a organização convidasse uma ou outra banda mais na onda do Gothic-Rock, alargando assim o espectro musical.

Um outro aspecto prende-se pelo facto de os concertos começarem este ano por volta das 19h e depois retomarem às 21h, fazendo com que o público se visse impossibilitado de ir comer à cidade, originando muitas filas para as bancas de comida à espera que o porco ficasse assado. Uma banca de cachorros e/ou algo mais vegan pensamos que traria mais diversidade alimentar durante os três dias de festival.

Em jeito de conclusão, cabe-nos agradecer à organização do Festival, a Fade In, por mais um fantástico Entremuralhas e por todo o seu cuidado, esmero e dedicação às sonoridades que nos são tão queridas. Bem haja!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Entremuralhas 2011 - Dia 2 - Crítica, opiniões e foto-reportagem

BRAINDERSTÖRM

Os leirienses Brainderstörm foram a banda revelação da edição deste ano do Entremuralhas. Brainderstörm com inspiração em bandas como Death In June, Black Tape For A Blue Girl, Dead Can Dance, Current 93 e Peter Murphy, captaram e surpreenderam o público presente na Igreja de Nossa Senhora da Pena com músicas como Your Grave is My Landscape, Velvet Bloodline, Broken Hearts Lane, Time To Take Ourselves Back e Black Ribbon. Um projecto a acompanhar, aguardando que editem o primeiro álbum.



 



SIEBEN

Sieben é o projecto de Matt Howden que com a sua voz, um violino e um pedal desenha um conjunto de canções em frente à sua audiência. As centenas de espectadores estavam no mínimo perplexos com tanta mestria e originalidade deste solitário músico. Matt Howden já tinha sido uma das apostas do festival Fade In e muito nos agradou a ideia de voltar a convidar este exímio artista para o Palco Alma. Recorde-se que Howden conta, no seu vasto currículo, com colaborações com Sol Invictus, Faith And The Muse, Of The Wand And The Moon, etc. Um dos momentos altos foi sem dúvida a versão da música Transmission de Joy Division captando uma adesão do público a cantar em uníssono o refrão, ou não fosse este um festival de contornos góticos.















ROSA CRVX na perspectiva de Carlos Matos


Carlos Matos
A minha condição simultânea de colaborador do Portal Gótico e de elemento da Fade In – Associação de Acção Cultural (entidade que organiza o Entremuralhas – Festival Gótico) pode suscitar em todos os leitores um olhar dúbio sobre a objectividade com que opino acerca do evento e seus intervenientes artísticos. Naturalmente que este é um exercício tomado pela emoção de quem se orgulha sobremaneira do certame cultural cuja segunda edição valorizou, mais uma vez, o monumento maior e mais importante da minha cidade: o Castelo de Leiria.

Para mim não houve nem melhores nem piores, nem vencidos nem vencedores - com excepção dos Suicide Commando que, com a sua ausência totalmente inesperada, foram, claramente, quem mais perderam. Todas as bandas, prévia e cirurgicamente escolhidas, estiveram à altura das (minhas) expectativas. Naturalmente que as suas diferenças estéticas contribuíram, em muito, para que tivéssemos um evento ainda mais rico e ecléctico, e essas mesmas diferenças coloca cada grupo no seu patamar específico, tornando a sua análise dependente dos gostos pessoais e subjectivos de quem os presencia.

Poderia escrever com propriedade sobre qualquer banda ou sobre qualquer outro dos vários intervenientes extra-concertos que pautaram a programação do Entremuralhas 2011, mas a minha “escolha” recai na mais personalizada e diferenciada banda de todo o evento: Rosa Crvx. Trazer esta banda francesa a Portugal era uma velha ambição da Fade In, mas os anos foram passando sem que conseguíssemos reunir as condições de ordem logística para que pudéssemos concretizar esse sonho. Por fim, conseguimos e, quanto a nós, valeu todo o esforço e cada pingo de suor. E quando me refiro a suor, refiro-me a ele literalmente.


Os Rosa Crvx chegaram ao Castelo de Leiria na quinta-feira (o concerto era no sábado). O primeiro desafio foi levar o material deles para uma sala no palácio do castelo mais perto do Palco Alma (bastante longe da porta da fortaleza, onde só veículos muito estreitos entram – o que não era o caso do camião da banda). Essa trasfega de material levou-nos quatro horas e muita energia muscular. Afinal, estamos a falar de uma parafernália que inclui um carrilhão de 10 sinos, um conjunto pesado de percussão de orquestra, um piano, e um infindável número de pequenas peças fundamentais para o desempenho ao vivo da banda. No sábado, dia do concerto, nova investida de força para levar o material da referida sala para o palco, onde os Rosa Crvx estiveram mais cinco horas, divididas entre a montagem dos seus peculiares instrumentos e os testes de som.



Para mim, o concerto dos Rosa Crvx foi um verdadeiro assombro. Um autêntico ritual capaz de suscitar em nós sensações únicas de deslumbre e de estupefacção. A sua actuação é uma espécie de missa negra dividida em vários actos e a banda tem no seu código genético uma inventividade que faz dela única e sem paralelo em todo o mundo! A sua música, de toada lúgubre, cantada em Latim, com coros incisivos, pianos gelados, guitarras cortantes, baixo cadente, e com sinos evocando ambiente litúrgicos, faz dos Rosa Crvx, provavelmente, a banda mais gótica do planeta. Mas, como se não bastasse a beleza paradoxalmente tenebrosa da sua música, os Rosa Crvx conseguem ainda reunir uma série de atributos cénicos e técnicos que deixam qualquer um boquiaberto. Neste particular, não podemos deixar de referir inúmeros apontamentos: o ritual de uma das “bailarinas” vestida por um estranho fato impregnado por sensores sonoros que respondiam ao movimento do seu corpo; os estandartes desfraldados e agitados entre o público com o nome da banda; a incrível e marcante “dança da terra” protagonizado por duas bailarinas nuas untadas com lama, num rito cerimonial de cortar a respiração; o imponente carrilhão de sinos que ocupa grande parte do palco; os tímpanos orquestrais, os bombos e os pratos que tocam como fantasmas (as baquetas são accionadas através de um mecanismo electromagnético); ou as extraordinárias e sincronizadas imagens que a banda debita e que adornam a tela que se estende por detrás deles, onde se destacam, entre outras, cenas dos “Jogos de Ferro” (outra das performances possíveis dos Rosa Crvx) e cujos sons interferem directamente na prestação ao vivo da banda…



Por tudo isto (e reforço: porque os Rosa Crvx são únicos no universo artístico mundial), e porque me revejo na paixão e na abnegação com que o seu mentor, Olivier Tarabo, tem vindo a dedicar ao longo dos anos à banda e a todo o conceito que a envolve, a minha eleição do Entremuralhas 2011 só poderia ser esta. Mesmo cometendo a injustiça de não me dedicar à explanação do soberbo e místico concerto dos búlgaros Irfan; do revisitar histórico do repertório dos Sol Invictus, do grande (no sentido literal e figurativo) Tony Wakeford; da energética e estilizada estreia em Portugal dos Nitzer Ebb; da surpreendente e arrebatadora prestação dos Braindertörm; do poderoso e empolgante violino diabólico de Sieben, de Matt Howden; da confirmação dos ESC como um dos projectos nacionais com maior potencial de exportação (como confirmam, aliás, as inúmeras datas internacionais já em carteira); da qualitativa e singular actuação dos Narsilion no edílico cenário da Igreja da Pena; do encantatório e mágico concerto dos Trobar de Morte; da solenidade e elegância contemplativa dos inesquecíveis suecos Arcana; do brilhante fecho a chave de ouro protagonizado pelos renovados e cada vez mais orgânicos Diary Of Dreams…



por Carlos Matos

ESC - Eden Synthetic Corps

Sábado era um dia em grande para os amantes do som mais harsh electro com o cartaz a figurar Suicide Commando no Palco Corpo. Dado o imprevisto de doença atingir o vocalista Johan Van Roy, a organização do Entremuralhas decidiu e muito bem convidar a banda Leiriense Eden Synthetic Corps. Os ESC, pela mão de G. Diesel e IDK (Vocais), Chainheart e Hypecrash (Teclados) estiveram numa excelente forma, aquecendo realmente o corpo do público que dançava ao som da banda numa gélida noite de pleno Julho. Os ESC mereciam um palco nacional como o Entremuralhas e o público não se fez rogado e agradeceu profundamente.

















Setlist:
Wrong Way
Waste of Ammo
Angelshift
Needle Catwalk
Eight Thousand Square Feet
Correcting God's Design
Totes Licht
Concrete
White Beast
Architecture
Matte
Reptile

Encore:
The Robots (kraftwerk cover)

  ©

Back to TOP