quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

The Christmas Ball 2011


Decorreu no passado dia 29 de Dezembro, em Berlim, o festival Christmas Ball 2011, com um cartaz de luxo composto por cinco das mais representativas bandas da cena electrónica, e com a particularidade de agradar  quer aos adeptos do old school EBM (Front 242 e The Klinik), das sonoridades mais pesadas (Combichrist e Hocico), e até do Future Pop (Solitary Experiments).

A noite começou pontualmente às 19 horas, que nisto os germânicos não brincam. A primeira banda a entrar foram os Solitary Experiments. Estes têm vindo aos poucos a criar um culto, que embora não atinja a notoriedade de bandas como os VNV Nation ou os Covenant, já conseguiram ocupar um espaço próprio na cena Future Pop, muito por culpa do excelente álbum de 2009 “In the eye of the beholder”. E foi precisamente nesse álbum, e no Mind over matter, de 2005, que basearam a sua actuação, através das músicas  Immortal, Rise and Fall, Delight, Pale candle light e Homesick. Pelo meio ainda deu para ouvir o Glory and honour (com nova roupagem), e 2 novas músicas.

Por esta altura a casa ainda estava apenas a meio, mas junto ao palco encontravam-se muitos fans da banda, devidamente identificados com os conhecidos casacos dos Solitary Experiments. A actuação de cerca de 45 minutos foi bastante sóbria, sem momentos muito altos, mas também sem tempos mortos, um pouco à imagem daquilo que os Solitary Experiments são em estúdio. Não foi de espantar que tivessem sido aplaudidos do inicio ao fim, e que mesmo o pouco público que não conhecia a banda lhe tivesse dedicado uma calorosa recepção.

Classificação: 3,5/5

De seguida veio uma das surpresas da noite, os The Klinik, banda que à semelhança dos Front 242 são pioneiros do estilo EBM. Confesso que não sou um grande conhecedor dos trabalhos dos Klinik, mas o que vi nesta actuação de cerca de 1 hora deixou-me de boca aberta e com vontade de finalmente entrar a fundo no amplo catálogo já editado pelos The Klinik.

O concerto começou ao som marcial e gélido de Cold as ice, arrebatando-me desde logo. Com um visual à la Death in June e sem grandes conversas, a banda foi desfilando alguns dos hits que a celebrizaram, nomeadamente Walking in shadows, Memories, Murder, Black leather ou o incontornável Moving Hands. À medida que a actuação foi decorrendo, sempre em crescendo, as pessoas que se encontravam junto ao bar foram se aproximando do palco, levando a que no final da actuação a sala se encontrasse praticamente esgotada.

Classificação: 4,5/5
Depois dos The Klinik e após um pequeno compasso de espera, entram em palco os Combichrist. Não percebo muito bem a devoção que esta banda tem junto do público alemão (quase metade do público tinha t-shirts dos Combichrist e os moshs foram uma constante), até porque em estúdio a banda está muito longe em termos qualitativos do que os Icon of Coil ou mesmo os Panzer Ag (outras das bandas do Andy, frontman de Combichrist) fizeram. Mas ao vivo, realmente são bastante competentes e demolidores. Os 2 bateristas são um espectáculo dentro do próprio espectáculo, e conseguiram rebentar com as 2 baterias antes do final da actuação. O guitarrista, com ar de quem tomou 3 pastilhas antes de entrar em palco, a avaliar pelas caretas que vai fazendo ao longo da actuação, domina completamente a guitarra. E o Andy, este é mestre em cativar o público. Mas mesmo assim a actuação soube-me a mais do mesmo, e quem já viu um concerto de Combichrist, não espere por grandes novidades nas actuações seguintes.

Os Combichrist iniciaram o concerto com o frontman a dizer que era um privilégio tocar num festival onde estavam as suas 2 bandas preferidas, os The Klinik e os Front 242.  A setlist baseou-se em alguns dos hits da banda (aqueles que foram possíveis tocar numa hora), nomeadamente Shut up and swallow, Today I woke to the rain of blood, Throat full of glass, Get your body beat, Blut royale ou They , conjugando músicas dos primeiros trabalhos, com alguns dos mais recentes. O ponto alto foi mesmo o What the fuck is wrong with you, no qual o Andy saltou para o meio do público, levando este ao extâse.

Classificação: 2,5/5



Entraram de seguida os Hocico, mais uma banda muito querida do público germânico (e também brasileiro, a avaliar pelos que estavam ao meu lado na plateia). Era possível ver-se à entrada do recinto carros com grande autocolantes dos Hocico, pelo que não estranhei a ovação brutal do público à entrada da banda em cena.

Ao contrário dos Combichrist, os Hocico conseguem manter nos seus trabalhos de estúdio uma maior regularidade em termos qualitativos, tendo-se tornado uma banda de referência, o que, diga-se, tendo em conta que se trata de uma banda mexicana e que por vezes canta em espanhol, é bastante meritório.

Após uma breve intro, os Hocico iniciam as hostilidades com os poderosos Breathe me tonight e Where words fail, hate speaks . A actuação nem sequer dava tempo para respirar, e mais uma vezes os pulos e o mosh nas primeiras filas da plateia foram uma constante. Não foram esquecidos hits como Instincts of perversion, Spirits of crime, About a dead, Dog eat dog, Bite me e Untold blasphemies. Como reconhecimento pelo carinho demonstrado pelo publico, a banda alargou um pouco mais a sua actuação e ainda nos brindou com Bloodshed em encore. No final dos 75 minutos de actuação o sentimento era de dever cumprido.

Classificação: 3,5/5

Por fim a banda que a par dos Combichrist era mais aguardada pelo público, os Front 242. E também por mim, uma vez que era uma falha enorme nunca ter assistido a um concerto de uma das bandas pioneiras do EBM (em Julho já tinha colmatado a outra falha vendo os Nitzer Ebb em Leiria). E à semelhança do que tinha sido o concerto de Nitzer Ebb, também este concerto me deixou um ligeiro amargo na boca e com a sensação de que os deveria ter visto há 20 anos atrás, altura em que estavam no auge.

Não que o concerto tenha sido mau, ou que se tivessem esquecido de tocar os hits que todos esperávamos (Body to body, Headhunter, Masterhit, Welcome to paradise…). Simplesmente de uma banda como os Front 242 esperamos sempre um toque que os distinga dos 1.000 seguidores, e não foi isso que aconteceu. Tivemos direito assim a um concerto ao qual sobrou a transpiração, mas que faltou a inspiração.

Classificação: 3/5

Resumindo, foi uma noite muito bem passada, com quase 7 horas de concertos, de bandas com créditos firmados na cena electrónica, e a um preço de fazer inveja à maior parte dos festivais que passam por Portugal.

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