segunda-feira, 7 de setembro de 2015

VI edição do Entremuralhas - Crítica e foto-reportagem do Festival de Leiria

A VI edição do Entremuralhas terminou e já se sente nostalgia. Vários foram os momentos marcantes: a reunião de amigos, concertos históricos e memoráveis como principalmente Lene Lovich e até Laibach pois com estes últimos a Fade In leva-os finalmente à cidade desejada, Leiria.

 Phantom Vision fez as honras de abrir o festival. E certo é que muita gente se deslocou a Leiria para os rever ao vivo e nós fizemos parte deste grupo. A banda apresentou vários clássicos e algumas músicas do novo álbum "Ghosts". Em termos cénicos foram acompanhados por uma bailarina que encantou a plateia com as suas danças. Sempre fabuloso ver e rever esta nossa tão aclamada banda nacional. Tivemos a oportunidade de escutar clássicos como Archfiend, Strange Attraction, The Last Frontier to Hollow Land e em homenagem a Lene Lovich a excelente cover de Bird Song.







De seguida os Tying Tiffany com um registo mais electrónico e ainda um tanto desconhecidos da comunidade portuguesa, entraram em cena e fizeram fãs pela plateia em que algumas pessoas nos confidenciavam que não a conheciam e que gostaram imenso do concerto. Uma boa surpresa para muitos e uma presença em palco muito encantadora.






A finalizar o 3º dia a grande Lene Lovich surpreendeu tudo e todos, pela sua garra, energia e dedicação no palco e principalmente pela sua voz e espírito sempre jovem. A escolha da organização pela presença no 1º dia de Lene Lovich and Band foi uma decisão acertadíssima. O concerto foi memorável e fez história na nossa comunidade alternativa e estará para sempre nas nossas memórias como um dos concertos mais fantásticos de sempre. Um nosso muito obrigado a esta grande senhora Lene Lovich por estes  momentos fantásticos que nos proporcionou.







2º dia
Keluar seguiu-se após A Jigsaw (chamados ao cartaz para substituir Jordan Reyne). Keluar apresenta-se com Zoé Zanias, a fantástica voz de Linea Aspera embora que com Keluar o som seja menos melódico e por vezes com algum experimentalismo associado. Keluar funde-se profundamente com o espaço da igreja da Pena num prolongamento sonoro e encanto visual  num espaço cheio de almas inertes e hipnotizadas.




Motorama marca o regresso a Portugal após os concertos de 2013 em Portugal, nomeadamente Porto, Lisboa e Bragança. Com menos um elemento já que a baixista não pôde entrar nesta tour, os Motorama apresentaram-se como os excelentes profissionais que sempre são. O público rendeu-se logo aos primeiros acordes de "Corona". As trocas de baixo e guitarra entre o vocalista Vlad Parshin e o guitarrista Maxim Polivanov eram constantes no final de cada música. Isto denota a grande mestria destes fabulosos artistas. A partir de músicas como Lottery (do novo álbum Poverty) e Rose in the Vase, a banda liberta-se cada vez mais com explosões energéticas de dança e murros do vocalista no címbalo da bateria e com a cabeça da guitarra eléctrica. O concerto terminou em grande com Anchor e During the Days em que as pessoas pediam encore, que por limitações de tempo não foi possível. A nosso ver este concerto foi um dos melhores do festival.






O nosso 2º dia do Entremuralhas terminou com SITD. Esta banda, presente em grande concerto no Porto no ano de 2006, foi fiel a si mesma e teve uma prestação incrível. As músicas foram diversas desde clássicos a mais recentes. Entre as músicas mais clássicas destacam-se por exemplo Kreuzgang, Snuff Machinery e do novo álbum o hit Revolution. Um concerto que avivou grandes memórias e que criou mais umas quantas.






3º dia
Consta que o último dia do festival foi marcado pela presença de muitos visitantes, fazendo mesmo com que a organização aumentasse a lotação do festival. Nomes como 6comm, And Also the Trees, Laibach e Agent Side Grinder animaram o público presente.
A Dead Forest Index composto por Adam Sherry na voz e guitarra e por Sam Sherry na bateria e teclas, arrancaram com este 3º dia de concertos. A banda foi bem acolhida, tendo a voz de Adam maravilhado os presentes. 






Os Ash Code deram início ao segundo concerto da igreja da Pena. Embora muito recentes, esta banda alcançou já um bom estatuto e foi bem aclamada pela crítica e pelos fãs da darkwave e post-punk. Alguns dos momentos altos foram os temas "Drama" e a cover de The Sound "I Can't Escape Myself". Esta foi uma das bandas que nos levou ao 3º dia do festival e as nossas expectativas não foram defraudadas, muito pelo contrário.






O Palco Alma, após Art Abscons, encerra com os sobejamente conhecidos And Also the Trees, uma das principais bandas do dia para uma boa parte dos presentes, embora já estivessem actuado em Leiria pela mão da Fade In em 2010. Um dos inúmeros momentos altos deu-se com Slow Pulse the Boy.







Depois do mediatismo do concerto da Coreia do Norte, Laibach tocaram em Leiria para um público muito diversificado.







Agent Side Grinder encerraram a edição VI do festival Entremuralhas 2015.




Em resumo, o festival foi composto por momentos memoráveis, em que a organização esteve sempre irrepreensível e o som excelente em todos os palcos. Nesta edição, registou-se um aumento de mais estrangeiros, sinónimo de projecção internacional, mas também de pessoas fora da cena alternativa, o que não é mau de todo, se for a forma de viabilizar um festival de contornos essencialmente alternativos. De acordo com a nossa opinião, se tivermos que humildemente destacar algumas bandas, estas seriam Lene Lovich, Motorama, Phantom Vision e SITD em registos musicais distintos. Sem descurar obviamente a qualidade de nenhuma das bandas presentes, dado que todas elas tiveram prestações dignas do nosso imenso respeito. Um bem haja a todos e voltamos a ver-nos para o ano Entremuralhas!



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